14/07/2015

O Taxi Grego e a Figura Mitológica

Nossa primeira aventura na Grécia começou ao tomarmos um táxi em Atenas, o que nos levou a conhecer uma figura quase mitológica.

Tudo começou em Abril de 2015, quanto lá estive com minha esposa, tendo como base de hospedagem Atenas. No todo, tomamos quatro táxis e as experiências foram as mais diversas possíveis.

Nossa chegada ao pais foi super tranquila. Viemos da Itália e após a chegada no aeroporto de Atenas, pegamos o metrô para descer na estação Omônia, que fica próxima da área central de Atenas. Eu não diria que é o melhor local da área central, mas o custo benefício do hotel que reservamos lá, em função da localização, compensava muito, aliado ao fato do hotel ficar perto desta estação do metrô.

A primeira figura mitológica que vimos na Grécia ! :)

Chegamos na parte da manhã, e na parte da tarde decidimos ir caminhando em direção à Praça Syntagma, mas não pegamos o melhor caminho e  estávamos achando muito monótono o que víamos. Tudo parado naquele caminho e era um Domingo.
Então decidimos pegar um táxi para ir à Acrópole de Atenas onde fica o Parthenon.
Após esperar um pouco, apareceu um carro um pouco velho e quando olhamos para dentro o motorista era uma figura quase mitológica. Cabelos brancos compridos, barbudo, com uma aparência e olhar triste e depressivo, de uma pessoa muito sofrida e cansada, mas ao mesmo tempo tinha um olhar estranho, meio que focado no infinito.
Ao entrar no carro, percebi o tamanho das unhas das mãos que ele parecia não cortar há muito tempo.
A primeira ideia que me veio à cabeça foi - parece ser uma pessoa depressiva ou até mesmo algum "maluco" dirigindo por pela cidade.
Fomos levados ao Parthenon por uma figura mitológica !
Quando tentamos falar em Inglês, ele não entendia uma palavra.
Então ele fez um sinal apontando para um telefone celular velho e fez outro sinal com as mãos do tipo "espere um pouco" e continuou dirigindo até encostar em uma pequena praça. Neste meio tempo ficamos apreensivos, chegamos a pensar que estávamos em alguma enroscada e que aquilo iria terminar em um assalto *risos.  Acho que é a "paranoia" de morar no Rio de Janeiro que levamos para a Grécia. Mas quando o motorista encostou o carro ele ligou para "alguém", falou por uns segundos em grego e me passou o telefone. Então do outro lado alguém falando em Inglês se apresentou como seu filho e disse para que eu explicasse onde queria ir que ele depois falaria para o seu pai.
Puxa vida... *risos.. Queríamos ir na Acrópole de Atenas, mas não sabíamos dizer isto em Grego e quando havíamos falado Parthenon ele não havia entendido. Mas depois de falar com seu filho, então ele prosseguiu e fomos para a Acrópole.
O caminho foi um pouquinho demorado, até que finalmente avistamos o Parthenon na Acrópole e comentei com minha esposa. Então o motorista olhou para nós e apontou com o dedo para lá, mas ainda carregava uma fisionomia carregada, de uma pessoa muito sofrida.
Quando lá chegamos, constatei que a corrida ficou em cerca de 5 Euros e alguns centavos. Paguei-lhe a corrida e dei-lhe uma pequena gratificação. Para nossa surpresa ele abriu um largo sorriso de agradecimento demonstrando ter ficado muito feliz e agradecendo com gestos. Até adiantou-se saindo do carro para abrir a porta. Foi como se sua alma brilhasse após termos demonstrado que gostamos do trabalho dele.
E por incrível que pareça, esta figura quase mitológica, que nos deixou um pouco assustados no início, foi o motorista mais confiável e honesto com quem lidamos por lá.

O "Esperto"

Ainda no mesmo dia, mas no fim da tarde, após visitarmos o novo Museu Arqueológico, que fica no sopé da Acrópole de Atenas, pegamos o metrô que tem uma estação ao lado do Museu e fomos para a Praça Sintagma, no centrinho de Atenas e vimos a troca da guarda em frente ao Palácio do Governo. Depois pegamos uma rua em direção aos bairros Monastiraki e Plaka e fomos caminhando, conhecendo aquela movimentada região, inclusive à noite. Quando já era noite e pensando em voltar ao hotel, cansados de caminhar o mais prático seria pegar outro táxi em função da rapidez e preço não alto por lá. Desta vez o motorista falava um inglês básico e não estava para muita conversa, sendo um pouco seco e grosso no modo de falar. Inicialmente percebemos, ou é grosseiro ou então deve estar querendo cobrar a mais. E realmente cobrou. Daquela região até próximo à Praça Omônia, a corrida ficou em cerca de 5 Euros, pois não era longe. Mas ele na cara de pau disse que a corrida era 10 Euros. Não contestei e paguei para evitar encrenca e também entendendo que a Grécia estava em crise financeira. Talvez o taxista pensasse que era justo cobrar um pouco a mais de estrangeiros.

O "Cara de Pau" e "Mentiroso"

Após visitarmos as ruínas do Templo de Zeus, quando deixávamos o sítio arqueológico, nossa intenção era seguir para Ágora Antiga. Então nos abordou um motorista que falava muito bem o Inglês e ofereceu para fazer uma excursão até certo ponto do litoral grego, onde segundo ele haviam várias paisagens, e nos ofereceu o passeio pelo total de 100 Euros para um casal, preço que achamos um pouco acima do que queríamos gastar naquele dia e talvez cara para os padrões locais.
Ruínas do sítio arqueológico do Templo de Zeus
Mas segundo ele, excursões cobravam o dobro. Entretanto, nosso objetivo era visitar Ágora Antiga e outros locais de Atenas naquela tarde. Então ele propôs nos levar ao Estádio Olímpico, depois no mirante que fica no topo do Monte Lycavittos, e depois em Ágora Antiga. Aceitamos pois precisávamos nos locomover com rapidez pois não tínhamos tempo de sobre na Grécia.
Estádio Olímpico de Atenas, todo em mármore branco.
Construído ou reconstruído no final do século 19 para sediar os primeiros jogos das Olimpíadas da era moderna.
Ele foi super educado e atencioso, conversando bastante, nos apresentou o Estádio Olímpico, ofereceu para tirar uma foto nossa em frente ao estádio e depois nos levou ao mirante Lycavittos e ficou esperando enquanto subimos um trecho à pé. O carro não poderia ir até o topo. O local é realmente muito bonito com esplêndida vista.
O mirante do Monte Lycavittos fica no ponto mais alto de Atenas. Pode-se chegar lá também através de um funicular.
Quando retornamos, ele disse que "achava" que Ágora Antiga já estava fechada e que se quiséssemos nos levaria ao passeio do litoral Grego, pois ele queria mesmo era faturar o passeio proposto por 100 Euros.
Dissemos que queríamos mesmo era ir para Ágora Antiga mesmo que estivesse fechada, somente para ver as cercanias e áreas adjacentes.
 Ao nos aproximarmos do local, haviam muitas pessoas caminhando em uma rua próxima da entrada do sítio arqueológico. Haviam muitos bares e restaurantes para turistas, um lugar realmente muito movimentado e com muita estrutura turística.
Rua nos entornos de Ágora Antiga
Então ele parou o carro e nos chamou para mostrar um portão que estava fechado. Eu fui lá com ele até o portão e ele disse - "Está vendo, já fechou". Mas enquanto isto minha esposa perguntou se entrada era ali mesmo, e lhe disseram que era um pouco mais abaixo, seguindo uma rua em declive.
Então minha mulher fez sinal para mim e eu me desvencilhei do motorista de táxi, pagando apenas o preço da corrida combinada pelos 3 locais, que se bem me lembro era cerca de 30 Euros, o que para nós dois era vantajoso. Melhor que ficar rodando em algum Hop on Hop off da vida, já que não tínhamos muito tempo em Atenas, e queríamos ver mais coisas seguindo nosso próprio roteiro.
Mas enfim, chegamos à entrada de Ágora Antiga e visitamos o interessante sítio arqueológico. E veja bem, o motorista queria nos convencer que estava fechado para ganhar 100 Euros, nos privando daquele belo passeio!
Por causa de uma experiência como esta, eu sempre digo, o melhor é fazer tudo por si mesmo. Táxi vale a pena, mas somente em último caso quando se tem pouco tempo em uma cidade. Mas se você me perguntasse se eu faria tudo isto de novo, a minha resposta é sim. Foi divertido, conhecer pessoas e aventurar-se pelas cidades onde se visita é sempre muito bom e deixa muitas histórias para lembrar ou contar.

Um comentário :

  1. Caramba, muito engraçado o artigo do taxista mitológico. Isto é, engraçado porque a corrida não ficou cara, do contrário talvez voce iria achar um pesadelo, ou não?

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